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sábado, 2 de setembro de 2017

Estrelas-do-mar são saudade
Dos astros que brilham no céu
Igualmente a morte dos homens
Só tem forma de eternidade
Leva uma senhora
Um céu privado entre a chuva
Que cai p’ra ninguém

Minha orvalhada de luz
Minha avalanche de fogo
Minha nuvem passageira
Com a forma da Terra inteira
Minha casa
Minha cama
Minha nascente de desejos
Jorrando no útero da voz
Minha copa
Minha cova
Meu epitáfio só de sol
Para o jazigo dos meus beijos
Minha ciranda de arrebol
Meu vau de noite vacilante
Que se cair enverga o talhe
De um oceano esvaziado
Meu descampado de afeição
Com forma de óbolo do olhar
De passaporte de andorinha
Ou de casquinha de luar
Minha asa
Minha ama
Minha alva flor de uma magnólia
Em forma de acha de silêncio
Minha coroa de silêncio

vértice

A ampulheta das mil horas
Passatempo radical
Um deserto itinerante
Um destino vertical
Quase oásis se demoras
O sorriso pelo mundo
E seguras vacilante
– Toda a vida num segundo

outubro

As flores não morreram, migraram
Deixaram frutos como se fossem livros
Deixaram o vazio como se fosse um fruto
Que primeiro é maduro, depois, verde
Para a árvore, então, o movimento é de saudade
Páginas em branco, ou ainda melhor, embranquecidas
Os ramos nus constituem a imagem, quase assexuada
Desse urbanismo de pássaros
Desse micado dos anjos
Espiritual
Como quem rasga a página favorita
Só com a memória

céu vazo

Em rochedos de brancura
Recolhemos as imagens
Escrevemos com usura
O leitor só vê miragens
É mester de predador
Apanhado em sua teia
Só se salva o escreve-dor
- Se o poema tem areia