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quarta-feira, 6 de setembro de 2017

o tearjerker dos corais

talvez o homem que encontrou o melhor modo
de chorar o finamento dos corais
tenha sido usain bolt

a puta também não se sai mal
ao atingir por fim o orgasmo
da sua primeira ruga

sempre que florescem
as coraleiras ganham papel principal
em todas as cosmogonias

e já que falo de um foder escancarado
é como poeta sem vergonha na cara
(como al capone)

que ordeno a londres, a camberra e à rubra moscovo
que sejam o alvo da minha pena
                                                           inaugural


antiques roadshow

“foi-me dada por um ser
que deixou de ser crido”


a chuva é a letra miudinha
do contrato do mundo

é à socapa que ela cai
já no antigo estado civil

na sintaxe dos dois seres
prevê o pranto a forma

que pode o insólito isolado
soluçar como consolo

no seu solilóquio
sem deus amor ou vida

a não ser a aliteração
que desanuvia a palavra
                                        sol

crítica da razão desconhecida

sim
       o primeiro ataque foi precoce
poderoso
resultado não tanto do seu corpo
afinal demasiado diplomático
para insurgir os amargos da boca
mas do espectro de aromas:
nobreza vermelha, sémen silvestre
com notas de trabalho
e sugestões de morte e chocolate

mas logo a adstringência
levou ao final
prolongado e exuberante
do disparate

foi um voto, um talento, uma paixão
que abortou

conade(e)p

eu e tu:
o e é sempre copulativo

espero que o meu leitor
(especialmente se for argentino)
não pense que eu confundo
lirismo com tragédia

só me parece terrivelmente político
dizer que alguém só pode desaparecer
dentro do corpo da sua amante

no cinema
o Pedro já o disse
precisamente quando falava com ela

porque ele sabe
que para quem prefere o johnny depp
a via para o interior do amor
não é feita de chocolate
mas de uma merda quase literal