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terça-feira, 5 de setembro de 2017

passeio dos tristes

um vero antonio pigafetta
eu navego no sidecar da poesia
mas pelo estreito do lápis
não há
            para os dois
                                   cabimento

a poesia morre
antes da volta completa
e eu registo o óbice e o óbito
como quem vela o mundo em movimento

dissertação

nenhum de nós é
vivo de mascarenhas
nem vivo de vasconcelos
muito menos
de rockefeller ou de la rochefoucauld
somos todos vivinhos da silva

durante a falsa partida
vestida de madressilva e madrepérola
a morte joga com cara de póquer
não revela se o tutti lhe é endémico
ou se a sorte também toca
ao seu académico adversário

nós (por cá)
vamos fazendo ensaios de naipe

polígrafo

nunca soube como engarrafar
uma embarcação
pelo estreito de um gargalo
nem como entregar-me ao correio
que faz menos deserta a ilha
e mais virgem a viagem

ainda que ébrio de mar ou de vinagre
não o conseguiria imaginar

orgulhoso
a mim mesmo envio uma mensagem
a falta de fé é o milagre do macho
se não consigo conceber
ao menos não concebo de deus
a centopeia de sombra
quando mudas de sentido
desfeita por um único raio de sol

um pouco mais ou menos de serenidade

primeiro
a criança aprende a apertar os cordões
é todo um saber complexo
que ao primeiro nó é ciência
mas ao segundo é já filosofia

todavia nós sabemos
(nós que já crescemos)
o quanto é fácil passar
do atacador a um ataque de dor
por isso

ao crescer
a criança tem de aprender a fazer
o nó na garganta
para caminhar firme entre acasos da vida
como se fosse divindade antiga

lenço de namorados

não sei se tenho ciência pra escreverte

ufa!logia ?
       giralogia?
ou talvez a espelhologia
onde te vez tintando
coa minha pena
as tuas pestanactites e pestanagmites
e num apenas fichar dolhos
me guardas dentro de ti
como se dentro de coisa grutesca

desejo da décima terceira passa

se eu pudesse ser uma máquina
gostaria de ser um hidroavião

p’ra caminhar sobre as águas
e ascender aos céus
sem precisar do combustível de um deus
a flor stradivarius
suas pétalas são fricções
de um caule

maria celeste

eu
que não tenho linhagem mas sim fuselagem
que só amo a alegria como neologia
e que em trinta e tal anos
de little boy passei para fat man

talvez não me arrependa
do muito pouco e pouco bombástico bem
que muito por acaso e por engano
no mundo propaguei