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sábado, 2 de setembro de 2017

era em zero criança só
que mãos suas cem viu e quis
para que é que saber serviam
e das fricções cem

cem cintilações
fez acontecer
foi antes da limpeza azeda
do de ordem ensinado anseio

cintilavam então centelhas
mero meramente
sua revelando

essência tangente
criança a no vazio quarto
ser era e mudança

a neve

cada vez
que a lâmina
velha
da Primavera
percorre a espuma invernal
repete-se o medo egoísta
de que sob o branco acídulo
já nada exista

a chuva

encontrar
uma palha transcendente
neste agulheiro

e coser
com uma lã imanente
o céu à terra


***

o céu cai em catarata
mas a erosão da evidência
trabalho de ar
muda a inútil queda de água
em tear


***

a criança põe questões:
“é possível
pegar em toda esta chuva
e fazer dela novelo
irreversível?”