quarta-feira, 2 de setembro de 2026

prelúdio

Sou uma mulher

Como todos os homens
livres onde quer que vivam
sou uma mulher
que faz a barba com a navalha de Ockham
Se tudo o que tem barbas
estivesse ainda à flor da pele
nada precisaria de ser colhido –
não haveria buquês de bigodes
no cantochão das barbearias
Mas os homens são homens
apenas porque se esquecem
de que sempre foram mulheres
e de que é mais fácil chegar a conhecer
quando
em vez de variar
uma incógnita insiste
Pois a navalha
mesmo sendo de Ockham
quando aflora o pescoço
ameaça o sangue

Exatamente como o pensamento

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